Jair Bolsonaro e cacique Raoni © Isac Nóbrega/PR e Dida Sampaio/Estadão Jair Bolsonaro e cacique Raoni

Após criticar o cacique Raoni Metuktire na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a questionar a posição de liderança do indígena, nesta quinta-feira, 26, e afirmou que ele "não fala a nossa língua". Para Bolsonaro, Raoni não expressa os anseios de todos os índios.

"Raoni fala outra língua. Não fala a nossa língua. É uma pessoa que está com uma certa idade avançada, vamos respeitá-lo com cidadão. Mas ele não fala pelos índios. Cada tribo tem um cacique", disse o presidente a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada. Ele demonstrou incômodo com críticas a seu discurso na ONU. "Levei uma índia lá (para a Assembleia Geral), a Ysani Kalapalo, não existe mais o monopólio do Raoni", afirmou.

Durante a fala na ONU, Bolsonaro já havia falado que "o monopólio do senhor Raoni acabou". Ele também enalteceu Ysani Kalapalo como alguém com "prestígio das lideranças indígenas interessadas em desenvolvimento, empoderamento e protagonismo". No entanto, a escolha de Ysani como representante foi questionada, em carta, por 16 povos habitantes do Xingu. Leia mais sobre a youtuber.

Hoje, Bolsonaro relembrou um outro documento que leu durante o seu discurso na ONU de indígenas que, de acordo com ele, "querem sair da escravidão, esmola de ONG, Bolsa Família e cesta básica". "A carta que eu li é muito importante e não foi dado o destaque na mídia. É uma carta dos índios produtores rurais", disse o presidente.

Bolsonaro falou com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, pela manhã. Antes de seguir para compromissos no Planalto, o presidente passou por exames no Hospital da Força Aérea de Brasília (HFAB). Ele não quis responder perguntas de jornalistas.