O acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci foi feito em 2018 com a Polícia Federal. Antes, ele procurou o Ministério Público Federal em Curitiba, que não aceitou sua proposta por considerar que faltavam provas suficientes  © José Cruz O acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci foi feito em 2018 com a Polícia Federal. Antes, ele procurou o Ministério Público Federal em Curitiba, que não aceitou sua proposta por considerar que faltavam provas suficientes

Em 1 acordo de delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que bancos fizeram doações eleitorais de R$ 50 milhões a campanhas do PT (Partido dos Trabalhadores) em troca de favores nos governos Lula e Dilma Rousseff. As informações são de reportagem do jornal O Globo publicada nesta 6ª feira (19.jul.2019).

 

Palocci afirmou que os bancos Bradesco, Safra, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Banco do Brasil estiveram envolvidos no caso. Segundo ele, o interesse das instituições era obter informações privilegiadas sobre mudanças na Selic (taxa básica de juros) e ter apoio do governo em situações de seus interesses.

Entre as acusações feitas pelo ex-ministro da fazenda de Lula, e da Casa Civil de Dilma, à Polícia Federal, está o uso indevido do BNDES para uma injeção atípica de R$ 2,4 bilhões na empresa Aracruz Celulose. Em 2008, a empresa estava em prejuízo de R$ 4,2 bilhões. O investimento teria sido para facilitar a venda do negócio ao grupo Votorantim. O grupo Safra também estaria envolvido na negociação.

Em troca, Palocci afirma que os grupos Safra e Votorantim fizeram repasses eleitorais ao PT em 2010 e 2014. O diretório teria do partido teria recebido R$ 1,4 milhão do banco Safra em 2010, e R$ 650 mil da Votorantim em 2014. Campanhas da ex-presidente Dilma teriam recebido R$ 2,3 milhões, do grupo Votorantim em 2010, e na eleição seguinte, R$ 2,75 do banco Safra.

Como uma forma de recompensa por essa atuação do governo, Palocci afirma que o Itaú Unibanco repassou R$ 4 milhões à campanha de Dilma de 2010.

O ex-ministro disse que o maior interesse do banco Bradesco era obter informações privilegiadas sobre o mercado e ter apoio do governo em decisões da Vale. Para isso, doou cerca de R$ 27 milhões ao partido de 2002 a 2014.

O BTG Pactual teria repassado R$ 2 milhões a campanha de Dilma em 2010, e R$ 9,5 milhões em 2014. Segundo a reportagens, essas duas doações citadas estão nas declarações oficiais do partido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Já o Banco do Brasil teria se envolvido em uma situação para liberar crédito do banco ao grupo Parmalat, em troca de R$ 100 mil em propina da empresa por 1 contrato fictício com o banco.

Segundo a reportagem, parte da delação do ex-ministro não bate. Ele afirma que houve 1 repasse de R$ 4 milhões do banco BTG em troca da exclusão de 1 processo contra André Esteves, acionista da instituição.

O pagamento não foi comprovado, apesar do acionista ter recebido uma penalidade mais branda no resultado do seu processo.

Em outra reportagem do jornal O Globo, também publicada nesta 6ª feira (19.jul), todos os bancos afirmaram não terem recebido vantagens em troca de doações a campanhas eleitorais. Assim com o diretório do PT, o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

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