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Publicada em 06/11/2017 às 14h59
Morre, aos 74, o jornalista Jorcêne Martínez

MONTEZUMA CRUZ

 Três meses após inteirar 74 anos, faleceu domingo (5), em Ceilândia Sul (DF), o jornalista Jorcêne José Martínez, sul-mato-grossense de Corumbá, com militância profissional no Rio de Janeiro e Rondônia.

Foi pai de sete filhos, nascidos de Irene, Cheice, Amábia e Lucineia, e também ajudou a criar outros, ao longo de sua permanência em Porto Velho. O pai dele, Ramón Leopardo Martínez, é nome de uma escola tradicional em Corumbá. A mãe, Índia Martínez, passou a vida toda no Pantanal, onde costumeiramente andava de catraia nas águas do rio Paraguai. Ambos também são falecidos.

O corpo será sepultado na manhã desta terça-feira (7) no Cemitério de Taguatinga (DF).

Martínez vivia em Ceilândia Sul (DF), onde sofreu AVC em 2010. Após a doença, foi cuidado pela companheira Amábia Félix e pelo filho Diego. Este se casou, e a partir daí o filho Rock nunca saiu de perto dele.

Emocionava-se ao descrever os períodos de repórter e redator nesses órgãos ainda no regime ditatorial no País.

O editor nacional do Jornal do Brasil, Juarez Bahia, designou-o correspondente em Porto Velho, onde chegou em 1978, depois de rica experiência no Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil, criado por Alberto Dines.

Acompanhou na cidade e no interior rondoniense, a transformação do território federal em estado. Hospedava-se em hotéis e pensões, andava de jipe, ônibus e caminhão. Visitava projetos do Incra, prefeituras, associações e sindicatos.

Ouvia pacientemente diversas histórias, muitas versões, e imprimia às suas reportagens a coloração humana. Adorava cobrir as sessões da Câmara Municipal de Porto Velho na legislatura presidida pelo vereador Joventino Ferreira Filho.

Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Estadão do Norte e nas sucursais de O Parceleiro (Ariquemes) e Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Participou com Sérgio Valente do Programa Nossa Revista, da TV Rondônia. Foi um dos editores do mensário Barranco, que circulou entre 1979 e 1980.

Em Corumbá foi repórter e redator dos jornais O Momento e Diário de Corumbá. Na Rádio Clube apresentou programa musical. No Rio de Janeiro, para onde se mudou nos anos 1970, trabalhou na extinta Rádio Guanabara, na revista Manchete, Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil.

Em Brasília assessorou o ex-deputado Maurício Calixto e os senadores Ernandes Amorim e Rubens Moreira Mendes.

Mesmo com essa rica trajetória, nunca acumulou dinheiro, nem auferiu bens. Pelo contrário, ficou totalmente dependente da família desde junho de 2010, quando deixou o Hospital Regional de Ceilândia após o AVC e nunca mais se levantou da cama.

Na casa 11 da QNP 30, alugada em Ceilândia Sul, passou mais sete anos, já sem dentes e com dificuldade para se alimentar. Conformado, sentiu o incômodo das feridas nos braços e nas costas. Elas se tornaram praticamente incuráveis.

Essa conformação cresceu desde que se acidentara, ainda jovem, em Corumbá, na queda de um elevador de um prédio em Corumbá. Ficou quase paralítico de uma perna e foi assim que Rondônia o conheceu. Às vezes demorava meia hora a pé, caminhando pela Avenida 7 de Setembro, entre o antigo Hotel Rodoviário e a Redação de A Tribuna.

Sua lucidez pós-doença impressionava, entretanto, as mãos tortas e as pernas imobilizadas o impediam de mexer-se, e assim permaneceu totalmente dependente do apoio dos filhos em todas as necessidades físicas e de alimentação.