Quem muito reclama da vida por qualquer pequeno problema que acontece, precisaria passar cinco minutos ao lado do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt. Ele, que luta há mais de três anos contra um câncer no cérebro, tinha tudo para reclamar ou ver o lado do ruim da vida, mas, não! Ele é um verdadeiro exemplo de superação, e nos dá uma aula de como devemos ver e levar a nossa vida: com leveza e alegria, apesar dos obstáculos.

Na manhã desta quarta-feira (30) participei do Fórum o Futuro do Combate ao Câncer, promovido pela Folha de S.Paulo. Oscar foi um dos pacientes que contaram um pouco sua experiência com câncer. Como cubro Saúde há anos, acompanhei de perto quando ele descobriu a doença, mas gostaria muito de compartilhar com vocês um resumo do que ele nos contou durante o evento.

Oscar descobriu tumor na cabeça durante férias nos Estados Unidos. Com muito bom humor, ele relembrou que o desmaio na piscina levou ele ao diagnóstico do câncer. O ex-jogador já passou por duas operações e faz quimioterapia, além de tomar medicação para controle da doença.

— Descobri que tinha um tumor quando estava de férias nos Estados Unidos. Estava na piscina quando desmaiei. Ligaram para o socorro e quando cheguei ao hospital o médico me perguntou se eu lembrava onde estava e eu respondi: No Rio de Janeiro [risos]. Mas não era, né? Estava em Orlando. Fiz exames e recebi o diagnóstico de que eu tinha um tumor de 8 cm na cabeça. A única coisa que eu disse foi: "quero operar no Brasil".  Então, vim para cá, e os médicos abriram minha cabeça de orelha a orelha para retirar o tumor.

Dois anos depois da primeira cirurgia, Oscar relembra que estava "novamente nos Estados Unidos" quando recebeu uma ligação de seu médico.

— Ele me disse que o tumor voltou de novo. Então, novamente abri a cabeça de orelha a orelha. E se o tumor aparecer de novo, eu vou abrir de novo. Não vai ser esse tumor que vai me derrubar.

Apesar de toda a dificuldade de tratamento, ele afirma que sua vida “melhorou muito” depois do tumor.

— A gente fica muito tempo pensando no futuro. Só que o futuro não é tão futuro assim. É amanhã! Hoje, faço muita coisa. Viajo muito, dou presentes caros para minha mulher e meus filhos [risos].

Sobre o futuro, ele foi categórico:

— Não precisa ter pena de mim. Porque eu não tenho pena de mim. Nossa vida é sempre ter que provar alguma coisa para alguém. Hoje, provo que não vou morrer. Morremos a hora que tiver que morrer.

 Vanessa Sulina é repórter